· O conceito da Raquel ·

Por Daniela Alvino


Qual o seu nome, idade, profissão e nacionalidade?

Raquel, 26, designer industrial, brasileira.

Nao dá para começar de outro jeito, o que significa design para você?
Design para mim significa evolução. É trabalhar diversas questões de um projeto com criatividade, visando o bem-estar de alguém. O design tem esse poder de transformação na vida e no comportamento, e além de comunicar, o design “cuida” do indivíduo através de um enfoque estético e prático. São as boas soluções para o nosso dia a dia.

Ok…agora tente explicar seu processo criativo.
Bom.. essa parte é dificil descrever. Basicamente tento criar a partir dos problemas que me são dados. É isso.. eu pego o abacaxi e tento descascar! Tento ser bem racional nesse ponto, porque acredito que antes de tudo as coisas devem funcionar bem. Também acho importante definir um conceito para o projeto. É aonde eu trabalho a criatividade com um certo foco: de onde surgem essas cores, formas, qual material utilizar, o porquê de tudo isso. Nem sempre tudo tem um porquê, mas isso direciona um pouco o projeto. Criatividade é fundamental, mas não adianta viajar muito porque no design de produtos, que é aonde tenho atuado, existem muitas implicações técnicas. No início eu até deixo fluir bastante, mas logo em seguida dou uma filtrada nas idéias de acordo com o contexto técnico do projeto. Também faço vários desenhos e rabiscos à mão, além de pesquisar tendências e novidades. Essa parte eu gosto muito. O gran finale é a apresentação para o cliente, onde sempre há ajustes. Conciliar o que o cliente/mercado espera é outra questão que entra também no meu processo, e geralmente é a parte mais dolorida.

Que comida melhora o seu humor?
Comida boa sempre melhora o meu humor porque eu adoro comer. Se for com um vinho então, melhor!
Mas em casos de emergência, brigadeiro de colher!

Aonde você busca inspiração para o seu trabalho?
Tento absorver esse tipo de conteúdo principalmete em viagens. Observar o trabalho de outras pessoas é bastante enriquecedor.  E essa coisa de ter inspiração na natureza não é comigo. Me inspiro mais no caos, numa chuva de informações!

Você morou e trabalhou um tempo em Florianópolis. Como foi essa experiência?
O primeiro impulso que tive ao me formar na universidade foi o de ir rumo ao sul do país em busca do meu primeiro emprego. Foi um misto de ilusão com falta de informação, já que no sul a produção industrial está mais concentrada, mas não é bem assim. Exitem oportunidades em todos os lugares, basta você focar e pesquisar. Isso é uma realidade que acontece com os recém-formados.. saímos das universidades muito perdidos, muito ansiosos e imaturos para o mercado. Bom, o fato é que eu tive uma oportunidade de ouro, que foi trabalhar dentro de uma indústria desenvolvendo produtos em resina de poliéster para a rede de lojas Imaginarium. Aprendi bastante e vi que para o designer industrial é fundamental estar presente na fábrica, entender os processos, conhecer as propriedades da matéria-prima que está utilizando. A partir do momento que você domina esses fatores, o seu raciocínio de projeto muda, influenciando desde o processo criativo até a detalhes de produção que ninguém imagina. Além disso, foi muito prazeroso criar produtos exóticos esteticamente e com uma linguagem mais “fun”. É um trabalho bastante divertido!

Como você definiria o design brasileiro contemporâneo?
O design brasileiro é tipo exportação: muito bem feito, mas são poucos e para poucos. Eu acho que temos profissionais muito criativos. Somos uma mistura de várias partes do mundo, temos uma cultura riquíssima. Mas em termos de produção industrial de produtos, ainda acho que estamos em fase de crescimento, ainda somos uma criança . Vemos produtos “gringos” muito mais bem pensados e executados. Já cansei de ouvir essas comparações, mas também, pudera: tivemos uma industrialização tardia, e  muitas empresas até hoje não estão preparadas para receber um profissional de design, não há sequer estrutura.

Qual a contribuição que você gostaria de dar ao mundo como designer?
Como brasileira e como designer, acredito que uma boa contribuição seria projetar visando um maior conforto e bem-estar à maior parte da população do meu país. É possível viver num ambiente simples, porém com produtos agradáveis e úteis. Temos uma cultura muito rica, e com inúmeros elementos estéticos. Gostaria de poder unir essa identidade brasileira à objetos do nosso dia-a-dia, e deixar tudo mais limpo, mais belo e digno. Democratizar o design e tornar mais acessíveis bons produtos para todos.

Paladar, tato, audição, visão ou olfato?
Sou audição..! Sou atraída pela música, por um tom de voz, barulhinho de mar….! Um restaurante pode ter uma comida ótima, mas se a música for ruím eu já não aprecio tanto, sabe? A visão também é muito importante. Mas acho que isso não é o mais importante na vida porque os olhos podem enganar a gente. O olfato me transporta pra muitos lugares e tempos! O meu paladar gosta de contrastes: quente com frio, doce com salgado. E o tato deve ser o que eu utilizo com menos frequência.. não sou muito de querer pegar e tocar tudo!

Muito obrigada pela entrevista, chica!

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